Flor_S2 * ' flor, inspirada, te inspira '

Pelos poderes de Greyscow, nós temos a foorçaaaaa

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Sobre escrever...


Se eu não pudesse escrever, eu não teria paz. Pensamentos estranhos, idéias boas, maus presságios e histórias fantásticas ficariam me rondando, indo e voltando, num movimento enlouquecedor e opressor, pedindo pra sair de dentro de mim... Em vão. Quando escrevo, descanso.

Se eu não pudesse escrever, eu pensaria mal. Muito mal. Não conseguiria juntar dados, rever conceitos, gravar sentenças, guardar detalhes. Minha memória, falha e pequena, me impediria de aprender tudo que poderia aprender em uma única chance. Quando escrevo, aprendo.

Se eu não pudesse escrever, não poderia me comunicar. Coisas que sinto apertariam meu peito sem que eu conseguisse dizer a mim mesma, ou a alguém, o que me aflige e o que me faz feliz. Quando escrevo, me expresso.

Se eu não pudesse escrever, não diria aos que amo o quanto os amo e de que jeito os amo. Cartas de amor, bilhetes, cartões, e-mails intermináveis e posts virariam conversas espremidas em telefonemas e encontros onde eu jamais seria capaz de dizer tudo que digo escrevendo. Quando escrevo, me mostro.

Se eu não pudesse escrever, não me comprometeria. Quem fala, fala ao vento, mas quem escreve deixa marcado o que defende, o que acredita, o que sente de maneira definitiva, mesmo que depois discorde de si mesmo. Quando escrevo, me assumo.

Se eu não pudesse escrever, muito de mim se perderia. Fatos passados virariam poeira nos cantos do labirinto que é a memória, sem que nunca mais pudessem ser revisitados. Meu passado seria reduzido a uma pequena fração do que é hoje, e eu não poderia escolher admirá-lo, ou rasgá-lo. Quando escrevo, me guardo.

Se eu não pudesse escrever, não conheceria algumas pessoas brilhantes, esquisitas, carinhosas, duras e profundas que só chegaram a mim por meio das palavras que escrevo, porque não teria afinidade nenhuma com elas de outra maneira. Quando escrevo, alcanço.

Se eu não pudesse escrever, não me sentiria dona da língua que falo e ouço. A língua passaria por mim como a água atravessa a areia - umedecendo-a só para deixá-la secar novamente. Eu seria árida e infértil. Quando escrevo, pertenço.

Se eu não pudesse escrever, não teria o prazer de me orgulhar, de me desenvolver, de me criticar, de me superar, de olhar para mim mesma de um jeito diferente a cada página. Quando escrevo, me alegro.

Se eu não pudesse escrever, eu não teria a sensação de, pelo menos por um instante, fugidio e intenso... Ser eu mesma, sem sombra de dúvida, sem censura, sem reprovação, sem me importar com mais nada. Quando escrevo, sou livre.

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